quarta-feira, 17 de agosto de 2011


LIDER - DIÁRIO DA MANHÃ
A vida nos ensina e nos dá oportunidades de aplicar-mos o conhecimento que dela obtemos. A vida ás vezes faz parecer acaso do destino, os fatos que nos cercam, mas são propósitos superiores que coadunam “tempo e fatos”.
Dilma Rousseff teme errar nos mínimos detalhes, pois sabe que a imprensa brasileira é carniceira e se alimenta da desgraça. Suas falas pausadas e pensadas explicitam isso. Não é um vacilar, como é o querer de muitos, inclusive um ex-ministro estilo tanque, recentemente exonerado. Dilma não é política dentro dos padrões da normalidade brasileira. Nunca foi vereadora, deputada ou senadora. Ela mais parece uma burocrata russa; ou melhor, búlgara, do que uma deputada. Sua cara é de presidenta, inclusive o nome deputada não lhe cairia bem devido ás ilações morfológicas por trás da palavra “deputada”. É uma executiva pragmática. Creio que suas experiências no primário da política, foram quase todas assimiladas nos porões do DOI-CODI durante o regime. Os profissionais da política formados nas dependências da repressão são raros. As aulas ministradas no andar de baixo do DOI formaram uma linhagem de políticos experimentados na tortura. É lógico que por questões até de vergonha, os educandos da idade do chumbo jamais confessarão os métodos pedagógicos aplicados para a assimilação da matéria militarista. Um desses métodos era o do Pau-de-Arara. Não conheço nenhum preso político importante que não tenha passado pelos questionários do Pau-de-Arara. Só para ilustrar o assunto: a técnica era usada de forma vexatória, pois alem de algemado e pendurado, ao comunista rebelde eram infligidos vários métodos de tortura, como o da vela acesa, que derretendo, respingavam-na nas partes íntimas do educando. Outro método curioso; entre vários, consistia de um prego fincado na ponta de um cabo de vassoura, o qual era ligado por um fio a uma tomada elétrica. Era o “ferrão”. Tinha ainda o ensacamento; asfixia por sacola plástica e a mijada. Alguns aprenderam “política” por esses métodos, urrando como animais no cárcere, onde o cacete era aplicado de todas as formas para obter confissões; eram esses os instrumentos pedagógicos utilizados para se produzir a verdade delatora. Assim eram formados os “políticos” que garantiram sua liberdade, caro leitor. Inclusive a minha - a de escrever o que penso e a desse jornal de publicar-me, não só a mim, mas de todos os que se externam indignados com a corrupção e outros assuntos que atormentam o país. Algumas pinceladas rápidas sobre a tela histórica da atual presidenta nos mostram o colorido pesado e monocrômico daqueles anos.
A austeridade das feições de Dilma Rousseff calha bem ao papel que o destino vem lhe impondo. Atarracada e sisuda, ela imprime um fenótipo europeu de inflexibilidade contra a desavergonhada classe política atual. Ao que tudo indica, por questões de personalidade e formação, Dilma não possui muito o jogo de cintura tão necessário para escorregar por entre os políticos de Brasília e a mídia - com ela o negócio sempre será: “curto e grosso”. O povo brasileiro está cansado de ouvir e ver e de servir de penico público para congressistas. Algo deverá ser feito. Se Dilma Rousseff souber colher de seus atributos naturais assomados as oportunidades ora azada para impor-se contra os a corrupção, ela poderá se tornar uma líder inconteste no cenário político brasileiro. É claro que o congresso tentara enredar-lhe para o campo vazio da política com suas CPI’s. Os pilantras querem CPI pra tudo. CPI serve apenas para levar o assunto “corrupção” para o rolo compressor do congresso, para o “embromation” e causar o desgaste necessário para o esvaziamento do discurso contra os ladravazes.
Outro fato desesperador para a presidenta é o fato de ter que dormir com um possível inimigo chamado PMDB. Um partido aliado, mas incontrolável pelo seu tamanho e com alguns membros fisiológicos até as últimas consequências.

Contudo, a imprensa independente poderá assegurar à presidenta, autonomia de ações legitimando-a diante da opinião pública. Lula já deu seu recado temerário: Não mexa no PMDB! Para Lula o PT é a carne e o PMDB, o espírito da governabilidade. Dilma Rousseff terá que fazer passar por uma peneira fina, boa parte dos parlamentares que se dizem “amigos” do governo e do povo e que se comprometem com algo desconhecido chamado ética. Eis aí o inferno onde Dilma irá pagar todos os seus pecados. Se Dilma souber polarizar ao entorno de si a opinião pública sobre a faxina (nós tivemos um torneiro agora temos uma faxineira) ela terá encontrado a fórmula exata para se tornar uma revolucionária usando dessa vez uma caneta ao invés de um fuzil. As grandes mídias pagas tentarão roer-lhe o moral, principalmente os colunistas das grandes revistas que se prestam a tal papel de direita e a oligopólios. Dilma Rousseff é o rescaldo da utopia comunista a qualquer custo. Suas ações como terrorista romântica em prol da liberdade são reflexos de parte de nossa história recente. História essa suscitada pelo temor militar de perder o controle do país para grupos radicais de esquerda – o pensamento marxista emergente no mundo.
Um dia, quando abrirem os documentos secretos da ditadura brasileira, poderemos ver ali, o dedo americano da CIA articulando o militarismo não só no Brasil, mas em toda América Latina, principalmente no cone sul. Era a guerra fria, a doutrina Truman e o capitalismo doutrinário de George Marshall. Um modelo esquizofrênico de T. Hobbes que se posto em prática, o estado americano seria o grande gerente da humanidade desnorteada. Desse buraco ideológico americano, nasceu a luta de muitos românticos da política, inclusive Dilma Rousseff.
Waldemar Rego. Escritor e artista Plástico em Ap. de Goiânia. waldemarregojr@gmail.com      http://wwwwaldemarregoescritor.blogspot.com






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