A Porca e a ética – DIÁRIO DA MANHÃ
Antigamente os coronéis dominavam a política através da imposição pela brutalidade física e econômica. Hoje, acresce a esse dois valores humanos, um outro ainda pior, o da influência. Esse diagnóstico precoce e simplório do que é o modus-operandi da maioria dos políticos e seus partidos, é apenas um resumo de que nada mudou desde as capitanias hereditárias até Luiz Inácio Lula da Silva. O político honesto é vítima do espírito corrente na sociedade brasileira que na sua grossa maioria, forma o caldo ignorante dos eleitores. Essa sociedade estulta e desinformada, rançada pelo servilismo colonialista, sequer consegue ler a diferença entre o possível e o impossível, o prometido e o cumprido. Essa é a nossa cultura política: o voto pelo patrocínio e nunca pela ética, o voto personalista e nunca moral. Adoramos o ícone performático e não sua “religião” política, o que ele na verdade professa. Aqui se funda o alicerce da “influência”: ou pela mídia ou pela embriológica necessidade social. Pela mídia por fatos óbvios, já pela necessidade, devido ao empunhamento oportunista da bandeira que tremula sobre a desgraça social. Eis aí o solucionático redentor. Por séculos o processo da influência grassa como um cupim eterno nossa política em todos os poderes – onde houver poder aí estará o inseto. A influência adquirida pelo processo de “mafiar” no governo, cria no individuo o poder do conchavo (presidentes de partidos) que por sua vez alimenta seus candidatos e seus eleitos. Uma espécie de gangorra político-finaceira. O político honesto é vitimado por esse processo de como é e como será o caso Dilma Rousseff. Para governar em paz, ela terá que ir ao genuflexório dos abades da corrupção brasileira e confessar que doravante será conivente – isso em troca da governabilidade. Até aqui ela tem dado mostras de que será ela mesma, o veneno contra os galardoados ministros de Lula. (Aqui se entenda exemplos do tipo Valdemar Costa Neto e o caso do ministro fulano de tal, dos Transportes, operante do PR - espetado pela opinião pública). Esses perigosos homens de preto, caem atirando suas ameaças.
Pelas possibilidades de ganho para o “grupo”, forma-se o processo do saque e do rateio da coisa pública. Independente de qual nível a que se aplica a regra, o partido comanda as ações e alimenta a vastidão de seus filhos com dinheiro público e cargos. O saque financeiro advindo dessa prospecção criminosa alimenta os pleitos desde vereadores até senadores e de prefeitos a presidentes. Assim o tal do “projeto político” do partido serve apenas para o embuste social. Ainda sobre a hierarquia desse abstrato feudo brasileiro chamado ministério, é ele quem determina toda a vassalagem dos cargos com o poder da caneta liberando verbas.
Desde as capitanias hereditárias o homizio é recorrente em nosso meio. Considero que a impunidade brasileira tem sua origem em boa parte, nesse modelo de estame jurídico português (o homizio) herdado por nós de nossos antepassados. A Ethos brasiliana possui em suas filigranas constitutivas esses nós cegos que faria corar de vergonha o fundador da ética - Sócrates. Ética não é privilegio de doutos. Vimos recentemente o caso de Nelson Jobim, ex-ministro da defesa, que mesmo sob as saias da presidência, declarou voto no adversário, critica colegas de público e acha tudo normal. Achei seus comentários sobre as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann de um machismo deselegante, coisa de caserna. Sobre seu voto: o voto é opcional e democrático e acima de tudo, secreto. Publicar o voto é insurgir contra a ética de seu valor democrático como fez o ministro. Vi recentemente na TV Cultura, programa Roda Viva, a entrevista do tal ministro. Confesso que em poucas vezes pude deparar com tamanha arrogância e prepotência arranjadas na personalidade de uma só autoridade. A impressão que tive é que o ex-ministro possui uma personalidade opressora e ostenta uma generosa empáfia. A ética de Jobim é o retrato hiper-realista de nossa elite política descompromissada com quem governa e com o povo - indicação de Lula. Em nossa sociedade política, jamais um presidente teve coragem de jogar a opinião pública contra os corruptos. Os corruptos; pelo poder que tem, sustentam o governo, (a Propinobrás). Há que deixá-los mamar. Se pouco, brigam, se muito, matam o governo. Há que ter um meio-termo. O couto público do político moderno ainda são os ministérios e a faca para a sangria, é a caneta da autoridade deliberativa dos recursos.
- De que serviria a redundância óbvia de todos esses argumentos?
- Esse dislate todo serve apenas para dizer que nossa ignorância política prospera a surtos intermitentes a cada pleito!
- Esse dislate todo serve para a seguinte reflexão: O destino deu à Dilma, no azado momento, a oportunidade única de por a faca da ética no pescoço da porca chamada corrupção! Cabe a ela a operação Mãos Limpas à brasileira. A imprensa estará com ela.
Waldemar Rego. Escritor e artista Plástico em Ap. de Goiânia. waldemarregojr@gmail.com http://wwwwaldemarregoescritor.blogspot.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário