quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O terrorismo tupiniquim dos Black blocs

O terrorismo tupiniquim dos Black blocs


Uma coisa chama a atenção na morte do cinegrafista que morreu de rojão, Caetano Veloso. Tido como intelectual da música brasileira, ele surfou na onda ao enrolar um pano preto na cabeça como se fosse um tuaregue à baiana e sair pelo deserto das ideias fazendo apologia aos black blocs. Dia desses escrevi aqui, nesse caderno, sobre o embrião terrorista que é esse grupo financiado por políticos espíritas.
A morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade, é o dano colateral da guerra civil ideológica principiada nas redes sociais, que tem suas raízes no processo político vigente. O Brasil, como dito no artigo anterior, descamba para o terrorismo e o ovo da serpente está sendo chocado pelo próprio governo. Muitos são os teóricos do conhecimento que estão se debruçando sobre esse movimento social que vem sendo fermentado no inconsciente coletivo do povo brasileiro. Uma análise de discurso, ainda que superficial do movimento Black bloc, indica que ele possui raízes profundas no processo político adotado no País, principalmente nos últimos doze anos. As consequências do “tudo pela hegemonia” têm se revelado extremamente nocivas para a sociedade. A política vigente ainda não conseguiu compreender que o caminho da traição social e ideológica, arrasta o Brasil para o abismo das ações reativas da sociedade. O apanágio brasileiro da passividade já não existe mais, o combustível do ódio social já está estabelecido na cabeça de cada um, é um caminho sem volta. 
Com resultados ainda que embrionários, mas dando provas de que sua gestação se encontra em estágio avançado, o ovo se encontra quase maturado, posto que haja diversos Caetanos de pano preto cobrindo suas ignorâncias e incitando a sociedade quanto ao caminho a ser trilhado, principalmente pela juventude incendiária – foco nascedouro das revoltas. São eles, os Caetanos, os formadores de opinião que emprestam suas imagens referenciais para nortear a juventude espicaçante de hormônios. A história nos mostra que a juventude é o combustível das revoltas, da inconformidade e sempre foram alimentados pelas ideias obtusas dos Caetanos da vida. No Brasil, assim como no mundo, o jovem é o pavio bomba social que há de ser detonada a qualquer momento, e parece que o agouro das ruas, em nada mexeu com o governo brasileiro. Atônita, a dama de ferro tupiniquim aconselhou-se com a escória que dela se serve e o resultado foi o “mais do mesmo”, ou seja, nada.
Por outro lado, acusar o apartheid econômico nacional como causal da violência, é enganar a opinião pública; ricos cometem crimes da mesma forma que pobres, com uma diferença, seus crimes estão na esfera do poder público e do estelionato; dar à falta de educação como diagnóstico barato da criminalidade, também é aprofundar-se na cegueira sobre os fatos. O que ocorre no Brasil é uma guerra surda pelo espólio de tudo, porque o Estado, tutor dos bens sociais, ausentou-se de sua autoridade contra as más tendências de seus herdeiros que se encontram órfãos de líderes políticos que possa apontar um caminho. Os que aí estão, são invenções midiáticas ou sindicais.
Sobre mídia: o sindicato dos jornalistas do Rio soltou uma nota Focaultiana condenando a jornalista Rachel Sheherazade por ela ter ido na corrente das revoltas, opinar contra a omissão do Estado frente a violência que dominou o País. Alguns jornalistas, invejosos do sucesso dos outros, quararam o cacete na “moça” ao citar o artigo 6º do código de ética da profissão. Desde quanto no Brasil houve ética nas linhas editoriais da imprensa? No Brasil vive-se um verdadeiro ensaio sobre a cegueira da intelectualidade sobre o caos que se avizinha, tanto que Caetano Veloso se transverteu em referencial da inconsequência ideológica, não só ele, mas ícones da imprensa também o fizeram, Ricardo Boechat, âncora da Band, deu seus coices e foi aplaudidíssimo.
A raiz do discurso sociológico dos Black blocs está enterrada na moral política de nossos feitores. Tenho dito e repetido: sem uma reforma profunda nas leis eleitorais, jamais teremos uma luz para sairmos do labirinto. Caetano, que é um homem de caráter fresco e de uma malemolência baiana sem limites, ao aprumar em si a bandeira dos Black blocs, se definiu como mais um pós-moderno líquido e sem rumo, cabível em qualquer molde deformado pelo oportunismo. Ícone da verdade musical brasileira assim como os sabichões da sociologia de boutique ou da pedagogia burguesa, intelectuais que ensaiam suas teorias nas grandes revistas, eles formam um caldo grosso que alimenta apenas o bate-boca. Somos uma família órfã em discussão.    
Waldemar Rêgo – Jornalista, Escritor e artista plástico.
waldemarregojr@gmail.com


quarta-feira, 17 de agosto de 2011


LIDER - DIÁRIO DA MANHÃ
A vida nos ensina e nos dá oportunidades de aplicar-mos o conhecimento que dela obtemos. A vida ás vezes faz parecer acaso do destino, os fatos que nos cercam, mas são propósitos superiores que coadunam “tempo e fatos”.
Dilma Rousseff teme errar nos mínimos detalhes, pois sabe que a imprensa brasileira é carniceira e se alimenta da desgraça. Suas falas pausadas e pensadas explicitam isso. Não é um vacilar, como é o querer de muitos, inclusive um ex-ministro estilo tanque, recentemente exonerado. Dilma não é política dentro dos padrões da normalidade brasileira. Nunca foi vereadora, deputada ou senadora. Ela mais parece uma burocrata russa; ou melhor, búlgara, do que uma deputada. Sua cara é de presidenta, inclusive o nome deputada não lhe cairia bem devido ás ilações morfológicas por trás da palavra “deputada”. É uma executiva pragmática. Creio que suas experiências no primário da política, foram quase todas assimiladas nos porões do DOI-CODI durante o regime. Os profissionais da política formados nas dependências da repressão são raros. As aulas ministradas no andar de baixo do DOI formaram uma linhagem de políticos experimentados na tortura. É lógico que por questões até de vergonha, os educandos da idade do chumbo jamais confessarão os métodos pedagógicos aplicados para a assimilação da matéria militarista. Um desses métodos era o do Pau-de-Arara. Não conheço nenhum preso político importante que não tenha passado pelos questionários do Pau-de-Arara. Só para ilustrar o assunto: a técnica era usada de forma vexatória, pois alem de algemado e pendurado, ao comunista rebelde eram infligidos vários métodos de tortura, como o da vela acesa, que derretendo, respingavam-na nas partes íntimas do educando. Outro método curioso; entre vários, consistia de um prego fincado na ponta de um cabo de vassoura, o qual era ligado por um fio a uma tomada elétrica. Era o “ferrão”. Tinha ainda o ensacamento; asfixia por sacola plástica e a mijada. Alguns aprenderam “política” por esses métodos, urrando como animais no cárcere, onde o cacete era aplicado de todas as formas para obter confissões; eram esses os instrumentos pedagógicos utilizados para se produzir a verdade delatora. Assim eram formados os “políticos” que garantiram sua liberdade, caro leitor. Inclusive a minha - a de escrever o que penso e a desse jornal de publicar-me, não só a mim, mas de todos os que se externam indignados com a corrupção e outros assuntos que atormentam o país. Algumas pinceladas rápidas sobre a tela histórica da atual presidenta nos mostram o colorido pesado e monocrômico daqueles anos.
A austeridade das feições de Dilma Rousseff calha bem ao papel que o destino vem lhe impondo. Atarracada e sisuda, ela imprime um fenótipo europeu de inflexibilidade contra a desavergonhada classe política atual. Ao que tudo indica, por questões de personalidade e formação, Dilma não possui muito o jogo de cintura tão necessário para escorregar por entre os políticos de Brasília e a mídia - com ela o negócio sempre será: “curto e grosso”. O povo brasileiro está cansado de ouvir e ver e de servir de penico público para congressistas. Algo deverá ser feito. Se Dilma Rousseff souber colher de seus atributos naturais assomados as oportunidades ora azada para impor-se contra os a corrupção, ela poderá se tornar uma líder inconteste no cenário político brasileiro. É claro que o congresso tentara enredar-lhe para o campo vazio da política com suas CPI’s. Os pilantras querem CPI pra tudo. CPI serve apenas para levar o assunto “corrupção” para o rolo compressor do congresso, para o “embromation” e causar o desgaste necessário para o esvaziamento do discurso contra os ladravazes.
Outro fato desesperador para a presidenta é o fato de ter que dormir com um possível inimigo chamado PMDB. Um partido aliado, mas incontrolável pelo seu tamanho e com alguns membros fisiológicos até as últimas consequências.

Contudo, a imprensa independente poderá assegurar à presidenta, autonomia de ações legitimando-a diante da opinião pública. Lula já deu seu recado temerário: Não mexa no PMDB! Para Lula o PT é a carne e o PMDB, o espírito da governabilidade. Dilma Rousseff terá que fazer passar por uma peneira fina, boa parte dos parlamentares que se dizem “amigos” do governo e do povo e que se comprometem com algo desconhecido chamado ética. Eis aí o inferno onde Dilma irá pagar todos os seus pecados. Se Dilma souber polarizar ao entorno de si a opinião pública sobre a faxina (nós tivemos um torneiro agora temos uma faxineira) ela terá encontrado a fórmula exata para se tornar uma revolucionária usando dessa vez uma caneta ao invés de um fuzil. As grandes mídias pagas tentarão roer-lhe o moral, principalmente os colunistas das grandes revistas que se prestam a tal papel de direita e a oligopólios. Dilma Rousseff é o rescaldo da utopia comunista a qualquer custo. Suas ações como terrorista romântica em prol da liberdade são reflexos de parte de nossa história recente. História essa suscitada pelo temor militar de perder o controle do país para grupos radicais de esquerda – o pensamento marxista emergente no mundo.
Um dia, quando abrirem os documentos secretos da ditadura brasileira, poderemos ver ali, o dedo americano da CIA articulando o militarismo não só no Brasil, mas em toda América Latina, principalmente no cone sul. Era a guerra fria, a doutrina Truman e o capitalismo doutrinário de George Marshall. Um modelo esquizofrênico de T. Hobbes que se posto em prática, o estado americano seria o grande gerente da humanidade desnorteada. Desse buraco ideológico americano, nasceu a luta de muitos românticos da política, inclusive Dilma Rousseff.
Waldemar Rego. Escritor e artista Plástico em Ap. de Goiânia. waldemarregojr@gmail.com      http://wwwwaldemarregoescritor.blogspot.com






quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A Porca e a ética – DIÁRIO DA MANHÃ
Antigamente os coronéis dominavam a política através da imposição pela brutalidade física e econômica. Hoje, acresce a esse dois valores humanos, um outro ainda pior, o da influência. Esse diagnóstico precoce e simplório do que é o modus-operandi da maioria dos políticos e seus partidos, é apenas um resumo de que nada mudou desde as capitanias hereditárias até Luiz Inácio Lula da Silva. O político honesto é vítima do espírito corrente na sociedade brasileira que na sua grossa maioria, forma o caldo ignorante dos eleitores. Essa sociedade estulta e desinformada, rançada pelo servilismo colonialista, sequer consegue ler a diferença entre o possível e o impossível, o prometido e o cumprido. Essa é a nossa cultura política: o voto pelo patrocínio e nunca pela ética, o voto personalista e nunca moral. Adoramos o ícone performático e não sua “religião” política, o que ele na verdade professa. Aqui se funda o alicerce da “influência”: ou pela mídia ou pela embriológica necessidade social. Pela mídia por fatos óbvios, já pela necessidade, devido ao empunhamento oportunista da bandeira que tremula sobre a desgraça social. Eis aí o solucionático redentor. Por séculos o processo da influência grassa como um cupim eterno nossa política em todos os poderes – onde houver poder aí estará o inseto. A influência adquirida pelo processo de “mafiar” no governo, cria no individuo o poder do conchavo (presidentes de partidos) que por sua vez alimenta seus candidatos e seus eleitos. Uma espécie de gangorra político-finaceira. O político honesto é vitimado por esse processo de como é e como será o caso Dilma Rousseff. Para governar em paz, ela terá que ir ao genuflexório dos abades da corrupção brasileira e confessar que doravante será conivente – isso em troca da governabilidade. Até aqui ela tem dado mostras de que será ela mesma, o veneno contra os galardoados ministros de Lula. (Aqui se entenda exemplos do tipo Valdemar Costa Neto e o caso do ministro fulano de tal, dos Transportes, operante do PR - espetado pela opinião pública). Esses perigosos homens de preto, caem atirando suas ameaças.
Pelas possibilidades de ganho para o “grupo”, forma-se o processo do saque e do rateio da coisa pública. Independente de qual nível a que se aplica a regra, o partido comanda as ações e alimenta a vastidão de seus filhos com dinheiro público e cargos. O saque financeiro advindo dessa prospecção criminosa alimenta os pleitos desde vereadores até senadores e de prefeitos a presidentes.  Assim o tal do “projeto político” do partido serve apenas para o embuste social. Ainda sobre a hierarquia desse abstrato feudo brasileiro chamado ministério, é ele quem determina toda a vassalagem dos cargos com o poder da caneta liberando verbas.
Desde as capitanias hereditárias o homizio é recorrente em nosso meio. Considero que a impunidade brasileira tem sua origem em boa parte, nesse modelo de estame jurídico português (o homizio) herdado por nós de nossos antepassados. A Ethos brasiliana possui em suas filigranas constitutivas esses nós cegos que faria corar de vergonha o fundador da ética - Sócrates. Ética não é privilegio de doutos. Vimos recentemente o caso de Nelson Jobim, ex-ministro da defesa, que mesmo sob as saias da presidência, declarou voto no adversário, critica colegas de público e acha tudo normal. Achei seus comentários sobre as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann de um machismo deselegante, coisa de caserna. Sobre seu voto: o voto é opcional e democrático e acima de tudo, secreto. Publicar o voto é insurgir contra a ética de seu valor democrático como fez o ministro. Vi recentemente na TV Cultura, programa Roda Viva, a entrevista do tal ministro. Confesso que em poucas vezes pude deparar com tamanha arrogância e prepotência arranjadas na personalidade de uma só autoridade. A impressão que tive é que o ex-ministro possui uma personalidade opressora e ostenta uma generosa empáfia. A ética de Jobim é o retrato hiper-realista de nossa elite política descompromissada com quem governa e com o povo - indicação de Lula. Em nossa sociedade política, jamais um presidente teve coragem de jogar a opinião pública contra os corruptos. Os corruptos; pelo poder que tem, sustentam o governo, (a Propinobrás). Há que deixá-los mamar. Se pouco, brigam, se muito, matam o governo. Há que ter um meio-termo. O couto público do político moderno ainda são os ministérios e a faca para a sangria, é a caneta da autoridade deliberativa dos recursos.
- De que serviria a redundância óbvia de todos esses argumentos?
- Esse dislate todo serve apenas para dizer que nossa ignorância política prospera a surtos intermitentes a cada pleito!
- Esse dislate todo serve para a seguinte reflexão: O destino deu à Dilma, no azado momento, a oportunidade única de por a faca da ética no pescoço da porca chamada corrupção! Cabe a ela a operação Mãos Limpas à brasileira. A imprensa estará com ela.
Waldemar Rego. Escritor e artista Plástico em Ap. de Goiânia. waldemarregojr@gmail.com      http://wwwwaldemarregoescritor.blogspot.com



quarta-feira, 6 de julho de 2011

ASSEMBLEIA DE DEUS
Antonio Abujamra ao final de cada “Provocações” – programa da TV Cultura que vai ao ar todas as terças, faz a seguinte pergunta: Quem mais prejudicou o mundo, a ciência, a arte, a religião ou os bancos? Quem assiste ao programa sabe que a resposta de todos entrevistados é: Religião! Espinhoso é escrever sobre os credos humanos, sejam eles quais forem. Há que ausentar do discurso, as siglas, posto que estas, apenas nomeiam os cardumes. Não caberia aqui, críticas sobre essa ou aquela denominação, o discurso cairia num vazio retórico sem fim, porém no mar das crenças há toda espécie de animais. Posto que os tubarões vagam nesse mar de crenças em busca de vítimas que possam devorar; a sagacidade do leitor saberá conduzir-lhe os passos na leitura, onde deseja que se chegue. Para quem acredita na filosofia de um jovem chamado Jesus, fica fácil compreender a seguinte questão: - Eis que farão comércio de vós!
Essa é a parte que me interessa de toda a historia do cristianismo para esse texto, o comercio da fé. A assembléia de Deus montada no congresso nacional, - aqui se entenda todos os seguimentos - com seu modus operandi – bancada evangélica e outros – legisla em nome de princípios humanos baseados na religião, agredindo a constituição que por sua vez impreca por vias indiretas que o estado é laico. Embora na constituição não haja o conceito “Estado Laico”, a constituição federal (CF) em seu artigo 19, I diz apenas o seguinte: É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público. (Grifo nosso). Desta forma fica separado: Estado e Igreja. Os políticos que se proclamam representantes do seguimento religioso deveriam calar-se diante da CF quando o assunto for moral religiosa, uma vez que; se defendem religião: sua expressão política é nula, pois a constituição não arbitra religião. Lá, no congresso se faz leis e a religião não poderia participar do fabrico das leis porque o estado é laico, logo, o eleito não pode representar aquele que o elegeu para o assunto “religião”. Assim o tubarão é eleito pelo cardume, mas não pode representá-lo, apenas devorar-lhe as carnes. De que forma? Dizendo: Eu te represento, vote em mim. Um exemplo são os adventistas do sétimo dia - que não se entremetem em política, salvo raríssimas exceções: se um parlamentar propusesse lei sobre o sábado como ponto facultativo no trabalho, ele incorreria em ato inconstitucional, porque estaria delegando em favor de ideologia religiosa e a laicidade do Estado o impede. Em 2007 quando o papa panzer, Bento XVI esteve por aqui, houve rumores de uma suposta pressão da Igreja Católica para consolidá-la como igreja oficial do Brasil por vias legais. Genericamente falando, toda religião tenta impor no homem, princípios morais que possam torná-lo melhor, para isso apelam para mudanças de comportamento invocando sempre essa ou aquela recompensa espiritual (o invariável céu). Com isso, supõem melhorar a sociedade - nada mais justo e correto no campo das intenções. A grande questão é, quando o religioso acha que os princípios de sua espiritualidade particular servem para outros e busca impor pela força de lei seus “dogmas” – palavra antiga e fora de moda. O ambiente para difundir essas idéias no Brasil tem sido o congresso. Como o estado é laico e não se podem fazer leis sob a égide do estigma chamado religião; deputados e senadores, açambarcados nas bancadas evangélicas, digladiam-se para impor seus pensamentos teocráticos numa tentativa de criar um estado paralelo, nas sombras do congresso. O perigo dessas aventuras ideológicas é que elas acham ressonância na cabeça de boa parte da sociedade, que ignara de seus efeitos, aplaude. Todas as vezes que a religião esteve atrelada ao poder temporal houve crimes de toda sorte, assassínios em massa e corrupção sem trégua; o papado e o islã são provas disso. Religião e política são remédios para as sociedades, mas se aplicados juntos; na mesma seringa, leva um país para o caminho político das aberrações surrealistas e das ditaduras excêntricas - haja vista a Europa antiga, Oriente Médio e Ásia. As hipóteses da moralidade humana, escritas em livros duvidosos que arremetem ao purismo ideológico, são os paradigmas utilizados como ferramentas para cinzelar a sociedade e modela-la como Estado Cristão, Muçulmano, Budista e outros. A espiritualidade é de foro íntimo, nela estão contidos nossos receios e esperanças, as verdades ditas a estes não servem para aqueles. Outra coisa que me execra o espírito é ver o magistrado sentenciar “segundo a vontade de Deus”. O que é mil vezes pior do que fazer a lei é punir pela lei “santa” – no caso uma lei feita por um senado sobranceiramente religioso. Em muitos casos, como exemplarmente vimos, um respeitável magistrado; Jerônimo Villas Boas, arremeteu-se contra o supremo - ao que parece motivado pela sua orientação deificada. Não havendo lei especfica, ele agiu, em minha opinião, segundo sua crença. Em teoria, não discordo de seu pensamento, posto que a união homoafetiva reconhecida por lei como família, traria enormes disparidades com os usos e costumes de nossa sociedade. O supremo haveria apenas que silenciar-se diante de um assunto que não possa julgar por falta do instrumento chamado lei; não havendo tal lei, o supremo afronta mais uma vez com sua judicialização arbitrária o congresso – ativismo judicial. Isso é assunto do congresso nacional, o criar leis. Um outro caso antigo; um certo juiz goiano - aposentado, julgou baseando-se em mesmerismos espíritas. Onde não há lei não há pecado, eis a Bíblia. No entanto há leis temporais e “espirituais” e esta, segundo a alma de cada um e cada qual julgada em sua esfera.
Waldemar Rego. Escritor e artista Plástico em Ap. de Goiânia. waldemarregojr@gmail.com      http://wwwwaldemarregoescritor.blogspot.com



segunda-feira, 6 de junho de 2011

De meu livro O EQUADOR DA VIDA

                 
  CANSA-ME O AMOR

Cansa-me o amor,
Embaraça-me os ramos que ele tem,
Não gosto dos espinhos que vicejam
No jardim dos sentimentos.

Porque o meu amor é um amor tranqüilo
E basta a sombra de um silêncio para que haja.

É como um Bougainville derramado
De um muro lodacento depois da chuva
Secando ao sol
Onde as borboletas polulam festivas,
Assim sou, tranqüilo no meu amor.

Se queres o meu sentir
Seremos a medida exata de um rio
Duas margens e um leito
Sem o qual, só dois barrancos
Que entreolhan-se, sem saber, a indagar.

Se queres enlaçar-me o coração
Como se fosse uma sebe recoberta de São Caetano
Já não me amas, sufoca-me
Porque gosto de olhar pelas frestas
O passar da natureza
Onde os Elfos,  largados, brincam
Sem que ninguém por eles dê.

Gosto de recolher-me ao leito
À hora em que meus olhos cansam
E acordar deste sonho que escrevi.



segunda-feira, 30 de maio de 2011




               PARA DIÁRIO DA MANHA
O concurso e a Justiça farisaica.

Segundo penso, na filosofia da justiça, há um fator preponderante - A lei será exercida para o bem da comunidade a quem protege. A lei deve proteger o cidadão ou apenas julgar os seus atos? Ao julgar, a lei pune com exclusão o pernicioso da sociedade, assim ela também protege esta sociedade de atos futuros nesse mesmo ato de julgar. Isso é o arroz com feijão sobre teoria do direito. As leis são causadas pelas doenças da sociedade que as editam. O detentor do saber legal, no caso, os juizes, se prestam a uma única coisa, julgar, fora isso, o que há são derivações de cunho sociológico que não vale a pena aqui “abrir comentário”, mas na verdade é o que vai nas entrelinhas desse texto. É ato passivo de largo entendimento que a justiça; como estamento de governo, haveria de coibir ações lesivas à sociedade antes mesmo que essas venham produzir seus efeitos; ainda que não se consuma em crime o intentado. Nisso, segundo penso, o que vale é a intenção do dano. Proteger a sociedade é dever de todos, a valer o de um juiz. Quando por julgamento, o juiz Ari Ferreira de Queiroz alarga dizendo que o tal concurso tinha “erros de edital”; não a pessoa dele, mas o “valimento” chamado justiça que o reveste, deveria ser exercido em beneficio do leigo, coibindo absolutamente o ato lesivo, ainda que para o futuro, proibindo com o poder que tem o maldito edital. Uma outra coisa, delegar ao leigo os deslindes das leis partindo do pressuposto que ele tem o dever de á conhecer, nos causa uma incógnita: haverei de saber a fundo a lei para me proteger? Em minha modesta opinião, o cidadão é “hipossuficiente” para determinar atos lesivos criados pelo estado que deveria prover o bem público isento de vícios, no caso o edital. Ora... há milhares e milhares de leis, como saberei determinar o vício em que tal edital incorre, sendo eu portador apenas do ensino básico ou médio, ou quando de nível superior fora da área do direito? Onde está o estamento chamado “justiça” para me proteger? Nesse caso os danos difusos causados pelo estado, devem ser reparados. E qual seria a reparação? Outro ponto: nós, leigos da justiça, não acudimos jurisprudências e delegar a nós, a sapiência das minúcias legais é crime de omissão, ao estado cabe exercer esse papel: o de conjecturar danos futuros e evita-los protegendo a sociedade. A justiça moderna é antes de tudo, pacificadora como foi nessa decisão do presidente do TJ, Vitor Lenza. Pagamos impostos e com eles, os polpudos salários de nossos Doges. O Brasil de ontem e de hoje, sempre nos trouxe na história, sentenças abusivas de sua magistratura. Desde a escravidão oficial até a mais cruel de todas; a moderna e cultural, o povo brasileiro suporta o acinte de certos juizes, que empanados pela egolatria e não raro, subornados; desferem sentenças abusivas em benefício do governo em detrimento da sociedade a quem deveriam acudir.
 Nos, o povo estamos cansados da desgraça causada pelo voto dado pela culatra em quem “todos sabemos” e agora acaso virá a cicuta que nos obrigarão com certeza a beber num cálice de chumbo na base do porrete? Há que se levar em conta o clamor social, o grito vermelho de quatro mil famílias, tenho dito. No meu modo de ver, um juiz que passa pelo processo de exposição midiática de forma negativa, causaria temeridades nas partes de um processo. O medo cria ilações e as ilações, a suspeição. Quem irá a juízo temendo não a justiça, mas o meritíssimo? Cria-se na cabeça do réu que se julga inocente, a vontade de morte devido ao ódio que causa a injustiça. Torno a dizer:
- A justiça moderna é pacificadora em alguns casos – como foi nessa prévia do TJ e nunca deveria estar a favor desse ou daquele governador ou pessoa que seja em casos como esse, porque ai está envolvido o fator social!
Aos que pertencem à fina flor da justiça e da política goiana digo:
- Não há poder absoluto na democracia. As insurreições ocorrem devido ao absolutismo de poder; ou seria eu, um analfabeto descalçado do conhecimento das leis, a ensinar os rudimentos da justiça à magistratura goiana e a seus políticos? Coar o mosquito e engolir o camelo é um ato, antes de mais nada, condenado por Deus como ato farisaico.
Ora direis inclinando-vos do balcão das vossas leis sobre nós á perguntar...
- O que podeis vós outros contra nós?
- Nada, nada podemos, “mas andamos com os olhos no pó da obediência e com o coração nas grimpas do ódio”. Digo; num trocadilho machadiano.
Parabenizo aos senhores concursados por essa pequena vitória, embora não os conheça, a nenhum de vocês. - É tempo de se usar as carapuças, ainda que às escondidas, para que ninguém veja as vergonhas políticas expostas nesse caso.
Waldemar Rego. Escritor em Aparecida de Goiânia.



               

domingo, 15 de maio de 2011

A Deidade
Eu não sei o que será de mim depois que esse artigo for publicado, eu não entendo muito de leis, mas entendo de injustiça, pois já sofri algumas ao longo da vida e o que estou observado nesses últimos meses tem me causado indignação, por isso escrevo. O juiz Ari Ferreira de Queiroz com sua intervenção na vida dos quase quatro mil aprovados no concurso do estado, está ficando famoso, muito famoso. Nunca havia ouvido falar nesse homem, nesse excelentíssimo juiz de direito. No pouco entendimento que tenho sobre esse assunto, que é a fama de juizes, penso que um juiz jamais deveria ficar na mídia como ele está, principalmente quando o assunto é notoriamente publico e polêmico e de interesse de milhares de pessoas. Na minha modestíssima opinião isso contamina não só o processo, mas a lisura do ato de julgar não só a do magistrado, mas da própria justiça. Ao que parece há um certo sabor em dar entrevistas na televisão tentando explicar para leigos como eu, aquilo que ele fez. Isso só faz alimentar o ódio que esses concursados já vem nutrindo pela pessoa dele. Isso não é bom para um juiz, despertar o ódio do cidadão sobre si. Ao mandar anular o concurso, o juiz leva a desgraça para quase quatro mil pessoas que nada tem a ver com isso, “erros de editais”. O juiz, assim como os outros juizes e promotores públicos ou a quem couber a competência para tal, deveria ter anulado o concurso quando foi publicado o edital. Porque não o fez? Uma coisa também que pode me custar muito caro, mas não posso deixar de comentar é a questão das pessoas não poderem criticar esse tipo de ações de um magistrado. Eles se portão como deuses do direito. Habitam no Olimpo das jurisprudências e ai do mortal que ousar questionar-lhes as arrogâncias. Há um ranço autoritariamente abusivo nessa espécie de profissional que compõem o triunvirato do poder constitucional. Ninguém pode critica-los, são como deuses, insofismáveis portadores da verdade jurídica. Ora... sobre os três poderes, nós que escrevemos, criticamos o Executivo, o Legislativo e porque não haveríamos de criticar o Judiciário, onde está o estado de direito? Não devemos achacar uma autoridade, mas devemos criticá-la, publicamente, pois ela é pública e se é pública responde perante a sociedade da qual faço parte. É intolerável que um homem público, cuja gestão temerária de seu cargo, não possa ser argüido pela sociedade, seja ele quem for, eu não admito esse tipo de coisa.  Uma outra coisa que me incomoda é a virada de governo no ultimo pleito, esses fatos coadunaram de forma impressionante. Não se trata aqui de criar ilações sobre a dignidade profissional de ninguém, mas sim arremeter o fato à quem mais poderia faturar com isso, Marconi Perillo, que se apresenta como ilibado defensor dos injustiçados desse malfadado concurso propalando aos quatro ventos ser solidário com aqueles, colocando inclusive a defensoria do estado a favor deles. Dessa forma, fica bem maquiada sua imagem perante a sociedade, mas sabe lá Deus quais são seus intentos verdadeiros.  Ele pegou o estado quebrado e qualquer aumento na folha seria um desastre. Nesse caso, calhou bem a decisão do juiz. Se conheço bem o marconismo, que é o mandar bater e depois assoprar, e isso em rede de televisão, se possível ao vivo, ele jamais deixaria de faturar sobre isso. O marconismo acomete a sociedade dessa forma: cria situações e depois, desvia a atenção do povo ignorante daquilo que realmente interessa e o canaliza para outros temas, fazendo assim, passar por alto o que realmente lhe interessa, ou seja, a rusga secreta dele com Alcides Rodrigues, o maior imbecil que já governou Goiás. Na minha opinião, a policia deveria investigar tudo isso, eu não sei se eu como cidadão posso ir a Policia Federal pedir uma investigação sobre isso, mas irei lá e se for meu direito como cidadão, farei isso. Irei também nos superiores do excelentíssimo senhor Juiz Ari Ferreira de Queiroz pedir que o removam desse caso; se for possível, porque na minha opinião o excesso de exposição na mídia contaminou o processo. Se tiver dentro de meu direito de cidadão, farei tudo isso.
Waldemar Rego. Escritor em Aparecida de Goiânia. waldemarregojr@gmail.com