O
terrorismo tupiniquim dos Black blocs
Uma
coisa chama a atenção na morte do cinegrafista que morreu de rojão, Caetano
Veloso. Tido como intelectual da música brasileira, ele surfou na onda ao
enrolar um pano preto na cabeça como se fosse um tuaregue à baiana e sair pelo
deserto das ideias fazendo apologia aos black blocs. Dia desses escrevi aqui,
nesse caderno, sobre o embrião terrorista que é esse grupo financiado por
políticos espíritas.
A
morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade, é o dano colateral da guerra
civil ideológica principiada nas redes sociais, que tem suas raízes no processo
político vigente. O Brasil, como dito no artigo anterior, descamba para o
terrorismo e o ovo da serpente está sendo chocado pelo próprio governo. Muitos
são os teóricos do conhecimento que estão se debruçando sobre esse movimento
social que vem sendo fermentado no inconsciente coletivo do povo brasileiro.
Uma análise de discurso, ainda que superficial do movimento Black bloc, indica
que ele possui raízes profundas no processo político adotado no País,
principalmente nos últimos doze anos. As consequências do “tudo pela hegemonia”
têm se revelado extremamente nocivas para a sociedade. A política vigente ainda
não conseguiu compreender que o caminho da traição social e ideológica, arrasta
o Brasil para o abismo das ações reativas da sociedade. O apanágio brasileiro
da passividade já não existe mais, o combustível do ódio social já está
estabelecido na cabeça de cada um, é um caminho sem volta.
Com
resultados ainda que embrionários, mas dando provas de que sua gestação se
encontra em estágio avançado, o ovo se encontra quase maturado, posto que haja
diversos Caetanos de pano preto cobrindo suas ignorâncias e incitando a
sociedade quanto ao caminho a ser trilhado, principalmente pela juventude incendiária
– foco nascedouro das revoltas. São eles, os Caetanos, os formadores de opinião
que emprestam suas imagens referenciais para nortear a juventude espicaçante de
hormônios. A história nos mostra que a juventude é o combustível das revoltas,
da inconformidade e sempre foram alimentados pelas ideias obtusas dos Caetanos
da vida. No Brasil, assim como no mundo, o jovem é o pavio bomba social que há de
ser detonada a qualquer momento, e parece que o agouro das ruas, em nada mexeu
com o governo brasileiro. Atônita, a dama de ferro tupiniquim aconselhou-se com
a escória que dela se serve e o resultado foi o “mais do mesmo”, ou seja, nada.
Por
outro lado, acusar o apartheid econômico nacional como causal da violência, é
enganar a opinião pública; ricos cometem crimes da mesma forma que pobres, com
uma diferença, seus crimes estão na esfera do poder público e do estelionato; dar
à falta de educação como diagnóstico barato da criminalidade, também é
aprofundar-se na cegueira sobre os fatos. O que ocorre no Brasil é uma guerra
surda pelo espólio de tudo, porque o Estado, tutor dos bens sociais,
ausentou-se de sua autoridade contra as más tendências de seus herdeiros que se
encontram órfãos de líderes políticos que possa apontar um caminho. Os que aí
estão, são invenções midiáticas ou sindicais.
Sobre
mídia: o sindicato dos jornalistas do Rio soltou uma nota Focaultiana
condenando a jornalista Rachel Sheherazade por ela ter ido na corrente das
revoltas, opinar contra a omissão do Estado frente a violência que dominou o
País. Alguns jornalistas, invejosos do sucesso dos outros, quararam o cacete na
“moça” ao citar o artigo 6º do código de ética da profissão. Desde quanto no
Brasil houve ética nas linhas editoriais da imprensa? No Brasil vive-se um
verdadeiro ensaio sobre a cegueira da intelectualidade sobre o caos que se
avizinha, tanto que Caetano Veloso se transverteu em referencial da
inconsequência ideológica, não só ele, mas ícones da imprensa também o fizeram,
Ricardo Boechat, âncora da Band, deu seus coices e foi aplaudidíssimo.
A
raiz do discurso sociológico dos Black blocs está enterrada na moral política
de nossos feitores. Tenho dito e repetido: sem uma reforma profunda nas leis
eleitorais, jamais teremos uma luz para sairmos do labirinto. Caetano, que é um
homem de caráter fresco e de uma malemolência baiana sem limites, ao aprumar em
si a bandeira dos Black blocs, se definiu como mais um pós-moderno líquido e
sem rumo, cabível em qualquer molde deformado pelo oportunismo. Ícone da verdade
musical brasileira assim como os sabichões da sociologia de boutique ou da
pedagogia burguesa, intelectuais que ensaiam suas teorias nas grandes revistas,
eles formam um caldo grosso que alimenta apenas o bate-boca. Somos uma família
órfã em discussão.
Waldemar Rêgo – Jornalista,
Escritor e artista plástico.
waldemarregojr@gmail.com





